INTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE GETULIO VARGAS

Fundado em 14 de junho de 1995

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Paulo Dreier no encontro de maio



Os associados do Instituto Histórico e Geográfico de Getúlio Vargas (IHGGV) receberam no encontro deste mês o comerciante Paulo Luiz Dreier. O convidado relatou aspectos diversos acerca da sua trajetória de vida, com destaque a sua atuação pública desde o tempo em que Erebango integrava o município de Getúlio Vargas na condição de distrito.
O ex. vereador nas câmaras de Getúlio Vargas e Erebango deixou a vida pública e divide o tempo entre a loja administrada pela filha e esposa e o plantio de árvores num sítio próximo a cidade de Erebango. Desde o início do ano Paulo Dreier está organizando documentos, fotos, edições de jornais e revistas reunidos a pelo menos cinco décadas que vão servir como fonte para o livro que irá escrever.
Durante a conversa, interrompida por freqüentes perguntas, ele falou acerca da formação social e econômica de Erebango desde os primórdios. Destacou a importância da atividade madeireira, com ênfase a Jewish Colonization Association (ICA) e os reflexos provocados com o esgotamento dos pinheirais. De igual modo o papel da ferrovia, a trajetória da comunidade erebanguense e as conquistas anteriores e posteriores a emancipação ocorrida em abril de 1988.
De acordo com o presidente do IHGGV, o encontro foi gravado e as fitas serão transcritas e incorporadas ao acervo do Projeto Memória Oral Getuliense. O professor Neivo Angelo Fabris disponibilizou a biblioteca da entidade para Paulo Dreier. O resultado da pesquisa deverá se materializar num livro de memórias que será inicialmente postado num blog criado pelo autor especialmente para esta finalidade.
Fonte: Jornal A Folha Regional

segunda-feira, 3 de maio de 2010

"Estação" - A porta da Colônia Erechim completa cem anos




Neivo Angelo Fabris – Professor de História do Colégio Estadual Antônio Scussel e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Getúlio Vargas.
Na segunda metade do século XIX foram elaborados diversos planos de viação com o objetivo de estabelece comunicações entre o Rio de Janeiro e as províncias. A ligação do Rio Grande do Sul com a região sudeste só iria ocorrer no ano de 1910, mas o serviço já estava em atividade desde 1874 entre Porto Alegre e São Leopoldo.
A primeira medida adotada para a ligação férrea entre São Paulo e o Rio Grande do Sul ocorreu seis dias antes da Proclamação da República em 15 de novembro de 1889. O decreto 10.432 assinado pelo Imperador D. Pedro II concedia ao Engenheiro João Teixeira Soares, o “privilégio para construção, uso e gozo de uma estrada de ferro. Ela partiria das margens do rio Itararé, na divisa de São Paulo e Paraná, chegando até a cidade de Santa Maria da Boca do Monte”.
O Inventário das Estações 1874-1959, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado registra que Teixeira Soares teria negociado seus direitos com a Companies dês Chemins de Fer Sud-Quest Brésilien, empresa com sede na Bélgica. O regime monárquico deu lugar ao republicano, mas o projeto não foi abandonado;
No ano de 1894 os trilhos chegam a Cruz Alta, em 1897 a vila de Carazinho e no ano seguinte a Passo Fundo. O trecho até o rio Uruguai seria o último e o mais difícil. O traçado feito pelos agrimensores e engenheiros atravessa o chamado “Sertão do Alto Uruguai”, área que integra o território de Passo Fundo que desde 1857 havia sido elevado à categoria de município.
No primeiro dia de janeiro de 1910 a primeira leva de imigrantes com destino a Colônia Erechim desembarca na estação com o mesmo nome, no entanto, a inauguração oficial iria ocorrer no dia 3 de maio. Nesta data a imprensa da capital anunciava a conclusão do trecho Passo Fundo – Coxilha – Sertão – Erechim – Erebango – Capo-Erê. No vigésimo quinto dia de outubro do mesmo ano estava concluída a construção da estrada de ferro entre Santa Maria e Marcelino Ramos.
O projeto de colonização do governo do Estado iniciado em 1908 é incrementado com o início da operação da ferrovia. Além da Colônia Erechim, que tem sua sede instalada a pouco mais de cinco quilômetros da estação com o mesmo nome, as companhias colonizadoras Luce & Rosa e a Jewish Colonization Association (ICA) passam a operar na região. A fertilidade das terras e a crescente entrada de imigrantes que desembarcam nas nove estações entre Passo Fundo e o rio Uruguai colocam a região em evidência.
O relatório da Secretaria de Estado dos Negócios das Obras Públicas apresentado por Carlos Barbosa Gonçalves sobre a Colônia Erechim no ano de 1912 é revelador: “É a colônia mais nova no Estado, e a que mais rapidamente se tem desenvolvido, graças especialmente a estrada de ferro que a atravessa”. O mesmo documento aponta que “no 2º semestre de 1911, esta Colônia recebeu 1.788 imigrantes, formando 354 famílias e 88 solteiros”. Nos primeiros seis meses do ano de 1912 os servidores da Comissão de Terras haviam recebido 2.057 imigrantes. No período a média de chegada de indivíduos foi de 342/mês.
Ainda sobre o relatório de 1912 o registro: da demarcação de 105.621 hectares dos quais 86.824 já ocupados. E ainda, uma população de 14.400 habitantes: “de várias nacionalidades, o elemento nacional representando ainda mais da metade, e entre o elemento estrangeiro predominando os polacos e russos”. Outro fato curioso diz respeito à construção das casas: “Na área colonizada existem hoje aproximadamente 2.400 casas, e a não ser algumas das estações da Estrada de Ferro, feitas de tijolos, todas as demais são de madeira”.
Passados mais de dois anos desde a chegada dos primeiros imigrantes a única estrada de rodagem concluída ligava a estação Erechim a sede do mesmo nome, uma extensão de 4.560 metros. No ano de 1912 o Cartório Civil havia registrado 258 nascimentos, 189 óbitos e 85 casamentos. Ao longo da década de 1910 o crescimento da população e da economia permitiu o desmembramento da região do município sede. No dia 30 de abril de 1918 Antônio Augusto Borges de Medeiros assinava o decreto que criava o município de Erechim. Sua sede foi instalada na vila de Paiol Grande batizada então com o nome de Boa Vista do Erechim.
A atividade madeireira nas décadas seguintes é intensa e aos milhares as tábuas e caibros de pinheiro são depositados nas proximidades das estações. Além da atividade extrativista a produção de banha se torna uma importante atividade. No ano de 1935, quando da instalação do município de Getúlio Vargas, a estação Erechim tem seu nome modificado. No dia 31 de março é fundada a Cooperativa de Produção de Banha Santana Ltda.
No início da segunda metade do século XX a triticultura é estimulada pelo governo. A produção do cereal cresce a cada safra e no ano de 1957 surge a Cotrigo. O associativismo também seria a opção dos produtores de uva através da Vinícola Serrana e de crédito, origem da Sicredi. Conhecido como “bairro industrial”, Estação Getúlio se consolida economicamente, com destaque para as atividades metal mecânico, moveleira, vestuário. De igual modo no comércio e serviços.
A inauguração da RS-135 é outro marco para a região. Uma campanha bem sucedida garante a emancipação no mês de abril de 1988 do bairro Estação e de outros dois distritos de Getúlio Vargas. Passados vinte e dois anos os indicadores sócio e econômico revelam que os esforços da comissão emancipacionista e o “sim” do plebiscito valeram à pena.
A Rede Ferroviária Federal S/A pouco fez para manter o serviço que havia sido determinante para o desenvolvimento local. Acumulando prejuízos a cada exercício, o Ministério dos Transportes entrega em março de 1997 as malha ferroviária a iniciativa privada. A América Latina Logística (ALL) recebe a concessão por trinta anos para explorar os serviços no RS, SC e PR.
No mesmo ano a ALL desativa o trecho Passo Fundo a Marcelino Ramos. Os esforços das autoridades e empresários locais e dos municípios servidos pela rede não conseguem reverter à decisão. As negociações dos governos do MS, PR, SC e RS em torno da criação da Ferrovia da Integração do Sul do Brasil S/A colocaram a região na rota deste novo empreendimento. Investidores diversos já manifestaram o interesse no novo empreendimento que deverá ser de capital misto;
Artigo publicado no jornal A Folha Regional, edição de 30 de abril de 2010 (páginas 4 e 5 suplemento especial Estação 22 Anos - centenário da ferrovia).

sexta-feira, 12 de março de 2010

Abertos os trabalhos do ano acadêmico 2010



O primeiro encontro dos associados do Instituto Histórico e Geográfico de Getúlio Vargas aconteceu no dia oito de março. O presidente da entidade cultural, professor Neivo Angelo Fabris, apresentou o relatório das atividades realizadas no ano passado, destacando a continuidade do Projeto Memória Oral Getuliense e a participação na X Feira do Livro.

Em 2009 o IHGGV teve aprovado dois projetos pelo Conselho Municipal da Cultura garantindo deste modo a encadernação da hemeroteca, coleção de jornais e periódicos editados no município. De igual modo a transferência das entrevistas feitas em fitas cassete para CD, o que deve facilitar a pesquisa e a preservação do acervo. A secretaria recebeu no exercício passado 52 correspondências e expediu 114. Foram emprestadas 46 obras da biblioteca que recebeu no mesmo período 85 livros e 93 revistas.

O cronograma de atividades até dezembro será finalizado nos próximos dias. Está prevista a realização de uma sessão do IHGGV na cidade de Estação para marcar o centenário da chegada da ferrovia. Também a continuidade dos projetos e a participação na Feira do Livro 2010, realização de palestras e outros. De acordo com a diretoria da entidade, a mudança para o prédio do antigo Fórum vai permitir entre outros a reabertura do Museu Histórico.

Atendendo convite do IHGGV o senhor Ervino Albino Figura participou do encontro. O filho de pioneiros que se estabeleceram na Colônia Erechim no ano de 1910 lançou recentemente o livro "Erebango Meu Berço". Dono de uma memória invejável, o pesquisador vai completar 87 anos no dia 20 de setembro. Atencioso, descreveu aspectos diversos da história local e autorizou a gravação da conversa que será transcrita para consultas. Um exemplar do seu livro foi doado à biblioteca do IHGGV.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Hemeroteca: jornais que integram o acervo.

# Jornal Chico Tasso: do número 01 ao 17 (coleção completa) - 1949 e 1950.
# Repórter da Serra: edições de 05/05/1951 e 06/10/1951.
# O imparcial Getuliense: 01 exemplar: dezembro de 1961.
# O Circulista: edições de 1º de maio e 08 de maio de 1963.
# O Getuliense: 01 exemplar: dezembro de 1968
# Município em Foco: edições de 25 de julho a 31 de outubro de 1974.
# O Panorama: Coleção completa (1979).
# A Voz da Serra Getúlio Vargas:do número 01 ao 366 - 1992 a 1999 (coleção completa).
# Diário da Manhã Getúlio Vargas: 1994 e 1995.
# O Povo - Coleção completa (2008).
# A Folha Regional:do número 001 (12/11/1999) ao número 537 (2010).
# Tribuna Getúliense: de 1999 ao ano de 2009.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Hemeroteca já pode ser consultada


Com recursos do Fundo Municipal da Cultura o Instituto Histórico e Geográfico de Getúlio Vargas pode encadernar o acervo de jornais editados no município. Com a criação da hemeroteca os periódicos já podem ser consultados na sala de pesquisa da instituição localizada no mesmo prédio da Biblioteca Pública Municipal Dr. Léo Stumpf.

A hemeroteca é formada por noventa e quatro peças encadernadas e identificadas com o título do jornal e período de circulação. O Getuliense, editado entre os anos de 1936 e 1937, é o título mais antigo do acervo. De acordo com o professor Neivo Angelo Fabris, a coleção completa formada por dezessete números do jornal Chico Tasso, dirigido por Oscar Six entre os anos de 1949 e 1950, também integra o acervo. .

O presidente do IHGGV lamenta que nenhum exemplar do jornal O Erechim, lançado no ano de 1919 e extinto na primeira semana de 1923 tenha sido preservado. “O semanário editado por Candido Cony e Mathias Lorenzon foi o primeiro jornal da região do Alto Uruguai rio-grandense”, revelou. O Circulista, órgão oficial do Circulo Operário de Getúlio Vargas chama a atenção por ter sido impresso através de mimeógrafo a álcool.

Da década de 1980 a coleção completa do semanário O Panorama e exemplares diversos do jornal Realidade. As trezentas e sessenta e seis edições do jornal A Voz da Serra Getúlio Vargas que circulou de novembro de 1992 a novembro de 1999 também foi encadernada. Da mesma época o Diário da Manhã Getúlio Vargas, que circulava aos domingos.

Integram ainda o acervo da hemeroteca os jornais A Folha Regional e Tribuna Getuliense. De igual modo o jornal O Povo, lançado no ano passado e que deixou de circular. Outros periódicos como Revista de Vanguarda, que marcou época, integram o acervo e exemplares isolados do jornal O Município de Getúlio Vargas da década de cinqüenta do século passado.
Fonte: Jornal A Folha Regional, edição do dia 11 de dezembro de 2009 - página 4

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Vanda Groch recebe comenda Cruz da Ordem do Mérito da República da Polônia


VERDE/AMARELO - VERMELHO/BRANCO

UM NOVO TEMPO NA RECÍPROCA

BRASIL x POLÔNIA x BRASIL

Dia 11 de novembro é uma das datas nacionais polonesas, que celebra o momento da recuperação da Independência da Polônia, ao final da Primeira Guerra Mundial. Na data de 10 passado participamos, em Curitiba, das comemorações na qualidade de Cônsul Honorária da República da Polônia para o Alto-Uruguai e Missões. As mesmas foram em dois momentos distintos: reunião à tarde e concerto à noite.

A reunião de trabalho aconteceu das 16h às 19h, coordenada pela Senhora Cônsul, Dorota Joanna Barys, Cônsul Geral da Polônia para os três estados do sul, com a presença do Exmo. Sr. Jan Borkowski - Vice-Ministro das Relações Exteriores da Polônia, da Sra. Regina Jurkowska, do Departamento de Cooperação Polonesa no Estrangeiro - Wspólnota Polska, do Exmo. Sr. Jacek Kisielewski, Embaixador da Polônia, em Brasília, e convidados representando Braspol: Rízio Wachowicz – Presidente nacional e André Hamerski – do nosso Estado, e entidades de São Mateus do Sul, São Bento do Sul, Curitiba e Erechim. Após as falas oficiais, os participantes manifestaram seus sentimentos num momento tão significativo de tão ilustre visita, apresentaram suas considerações, idéias, preocupações e solicitações, além de fazer entrega de correspondências e relatórios.

Ao final o Sr. Ministro não poderia ter sido mais feliz, bem como o Sr. Embaixador cujas palavras são de grande valia para todos nós refletirmos, o sentimento que une os dois países e, principalmente, as próximas ações da Diplomacia, as quais devem merecer nossa atenção e apoio efetivo.

O vice ministro Jan Borkowski, muito jovem e competente, disse dos objetivos do Ministério das Relações Exteriores da Polônia em conhecer as peculiaridades das comunidades polonesas em outros países, onde os imigrantes e seus descendentes estão integrados ao povo. Manifestou sua grande satisfação e surpresa em conhecer o Brasil, seu dinamismo, suas especificidades. seu povo. Neste momento o Ministério está muito direcionado às ações na América Latina. Em relação ao Brasil, em aproximar as autoridades brasileiras da Polônia, transformando a indiferença em interesse.

Também preside um Grupo Interministerial que trata das relações internacionais com as comunidades polonesas, considerando que elas também fazem parte da identidade nacional. Ao final de 2009 será editado um relatório sobre os imigrantes poloneses, com dados de 30 países. Este documento será fundamental para as ações a serem empreendidas.

O Senhor Embaixador, Jacek Junosza Kisielewski, adiantou que estão sendo organizadas duas agendas pela Embaixada da Polônia em Brasília, uma para abril e outra para maio/2010. Trata-se de intercâmbios de Parlamentares Brasileiros e Poloneses e, no campo empresarial, missões de empresários - brasileiros e poloneses - do comércio, indústria e Turismo, na recíproca do vai e vem, para que se entenda este novo momento da globalização, respeitando as peculiaridades de cada País.

No segundo momento, foi o Recital de Piano que teve lugar às 20h 15min, no Espaço Cultural Capela Santa Maria, com Marian Sobula e obras de Chopin e Szymanowski. Somente quatro pianistas, no mundo, executam de fato a obra de Szymanowski.

Antecedendo o recital, abrindo a noite, os Hinos da Polônia e do Brasil e o pronunciamento da Senhora Cônsul, quando discorreu sobre a data da Independência em 11 de novembro de 1918, tocando com muita precisão e elegância nos principais pontos da História da Polônia, até o advento da democracia, em 1989. Aplausos efusivos ecoaram por alguns minutos.

Nas comemorações das datas nacionais, o Presidente da Polônia, LECH KACZYNSKI, honra alguém com alguma distinção. Neste ano, a comenda: CRUZ DA ORDEM DO MÉRITO DA REPÚBLICA DA POLÔNIA coube a mim. Esta honraria me foi atribuída em 28 de outubro de 2008, e entregue pelo Vice-Ministro do Ministério das Relações Exteriores Jan Borkowski, nesta ocasião.

Ao agradecer, dediquei a Comenda aos imigrantes e seus descendentes e aos jovens, para que construam a paz e que nunca, nenhum país, nem a Polônia, precisem passar por tempos tão cruéis. Falei da importância dos pais falarem com amor, para seus filhos, sobre suas raízes, para que sejam firmes e resistentes. Estas lições recebi do meu pai, chegado ao Brasil em 1930. Divido com todos que fazem a Cultura Polonesa acontecer, onde quer que estejam e por todos os tempos.

Foto: Comenda: Cruz da Ordem do Mérito da República da Polônia